histórias para ben dormir

Que segure o chororô.

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Filho,

durante seus primeiros meses de vida aquele oásis imaginário das 18h por dia que um recém-nascido dorme (ou pelo menos deveria dormir) não passou de uma miragem dos livros de auto-ajuda e baby-ajuda.

Você chorava, filho. Sempre muito e com tanta força que ficávamos sem saber o que fazer. Durante semanas esse era o atestado da minha mais completa incompetência como mãe. Porque você chorava para trocar fralda, chorava para tomar banho, chorava, chorava e chorava. As tais sonecas não passavam de lenda nem dos 15 minutos. E quando você abria o berreiro, até a balofa ficava desbaratinada.

Sua avó Marina insistia em me mostrar que seu choro era de cólica, que a sua perninha não parava de sacudir, e se eu colocasse a mão na sua barriga iria senti-la borbulhar por dentro. Mas na bibliografia que li (e ela foi vasta), constava que essa tal de cólica só acontecia no final do dia, ou em pequenos momentos pontuais. O pediatra apenas me consolava dizendo que depois dos três meses tudo ia melhorar, mas três meses era tempo demais para mim (e para você também).

Com a ajuda da faxineira que cuidava da nossa casa durante essa época, descobri que você se acalmava um pouco quando era sacudido (não filho, não era embalado, era sacudido mesmo, com firmeza e um cadinho de força). Desde esse dia, eu e você tivemos longas horas dançando forró pela casa. E seu pai muitas vezes dançava tango com você nos dias mais críticos.

Fiz muito charutinho. Fiz muita compressa quente. Fiz muita chupeta com funchicória. Fiz muita colherzinha com colic calm. Fiz muita massagem na sua barriga. Fiz muito movimento de bicicleta com as suas pernas. E em troca de tudo isso, você fez algumas sonecas curtas em cima da minha barriga ou na do seu pai. Aliás, a barriga do seu pai se tornou a sua morada e a sua cama durante toda a semana em que ele ficou em casa com a gente.

Na época eu achava que isso de cólica era pura invencionice das pessoas, quando não sabiam o motivo de um bebê tão pequeno e bem alimentado chorar tanto.

Hoje, quando olho pra trás, eu tenho certeza de que aqueles seus choros eram sim de dor. Porque se adaptar a esse mundo em que vivemos não é uma tarefa das mais fáceis, filho. É doído pra c******! Ah seu eu soubesse disso quatro meses atrás, teria te dado ainda mais colo e carinho. Então como não posso voltar no tempo, lembre  sempre que você tem colo e carinho de crédito com a mamãe, para usar sempre que precisar.

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